A CURA DA DEPRESSÃO NA VISÃO PSICANALÍTICA

A depressão não é apenas tristeza. É um silêncio da alma, uma espécie de exílio interior onde a pessoa sente que perdeu o sentido, a potência e até a capacidade de desejar. Na psicanálise, não tratamos a depressão como um "defeito químico", mas como um grito psíquico: o sujeito está dizendo algo, mesmo quando aparentemente se cala.

A cura, portanto, não é feita com pressa, nem com frases prontas. Ela passa por um caminho de escuta, de acolhimento e, principalmente, de reencontro com o desejo.

O que a psicanálise busca não é apenas tirar a dor ? é fazer com que essa dor ganhe sentido e deixe de ser um peso morto para se tornar um movimento de transformação.

O que é trabalhado no processo psicanalítico:

A história emocional do paciente: o que ele carrega e o que ele cala.

As feridas narcísicas, as frustrações e os lutos não elaborados.

A relação com o desejo, com o amor, com a culpa e com a falta.

A identidade: quem sou eu, além da dor?


Como acontece a cura?

A cura não é apagar o passado, mas permitir que ele deixe de aprisionar o presente. Aos poucos, o sujeito vai construindo uma espécie de "espinha dorsal emocional", e aquilo que o derrubava passa a ser compreendido, simbolizado ? e finalmente superado.

Quando a palavra volta a circular, a vida volta a circular.
Quando o sujeito se reencontra com o desejo, ele ressurge.
E é nesse ponto que a depressão começa a perder força.

A psicanálise ensina:

> "Não há cura sem escuta. Não há transformação sem verdade.
E não há vida sem desejo."

A depressão pode ser tratada. A cura é possível.
Mas ela nasce do encontro com aquilo que é mais humano:
a fala, o afeto e o direito de existir como se é.

Franklin Teixeira

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