? A Visão Psicanalítica Sobre o Suicídio
Por uma escuta que reconhece a dor silenciosa
Na psicanálise, o suicídio não é visto como um ato de fraqueza, mas como o grito extremo de alguém que perdeu a ligação com o sentido da vida. Não há julgamento ? há escuta. O sujeito que pensa na morte não quer, necessariamente, acabar com a vida? muitas vezes deseja apenas acabar com a dor que parece interminável.
Freud apontou que quando o sofrimento psíquico ultrapassa o limite suportável, a energia vital volta-se contra o próprio sujeito ? é o que ele chamou de pulsão de morte, uma força que implode a esperança e faz calar qualquer possibilidade de futuro.
Nesse estado, o mundo perde as cores, as conexões enfraquecem, e o indivíduo se sente isolado mesmo quando está cercado de pessoas. O suicídio, então, surge como a tentativa final de escapar, quando já não se vê saída simbólica para o sofrimento.
Mas a psicanálise nos lembra de algo essencial:
mesmo no silêncio da dor, existe um sujeito que deseja ser escutado.
E quando esse sujeito encontra acolhimento ? uma escuta real, humana, sem julgamentos ? a energia psíquica pode se reorganizar. A fala abre caminhos que a dor fez parecer inexistentes.
? Portanto:
Ninguém quer morrer? quer parar de sofrer.
O suicídio não é falta de fé, é falta de espaço psíquico.
A escuta psicanalítica não salva por milagre ? mas cria pontes simbólicas quando a mente só enxerga abismos.
Falar é um ato de coragem. Ser escutado, muitas vezes, é um ato de salvação.
Porque quando a dor encontra palavra? o sujeito pode reencontrar sentido.
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? A psicanálise não julga ? acolhe. Não condena ? escuta. E, na escuta, muitas vezes, a vida recomeça.

