FEMINICÍDIO ? UMA FERIDA PSÍQUICA COLETIVA
O feminicídio não é apenas um crime.
É um sintoma.
É a expressão extrema de uma mente adoecida ? individual e socialmente.
Por trás do ato está um sujeito que não aprendeu a lidar com a perda, com a frustração e com o limite.
Na raiz do feminicídio existe narcisismo ferido, sensação de posse e a fantasia infantil de que o outro deve existir apenas para satisfazer seu desejo. Quando a mulher se coloca como sujeito ? dizendo "não", escolhendo seu caminho, saindo da relação ? o agressor sente que perde o controle de sua própria identidade. E em vez de elaborar a dor? ataca.
Mata o outro por não saber simbolizar a própria falta.
A psicanálise entende que todo ato violento revela um vazio interno, um eu frágil, que jamais aprendeu a suportar o sofrimento sem destruí-lo externamente.
Quem recorre à violência mostra sua incapacidade de elaborar o que sente. Em muitos casos, o feminicídio é o grito desesperado de um sujeito incapaz de viver a castração ? incapaz de aceitar que o outro não lhe pertence.
Vivemos em uma cultura que, por séculos, ensinou o homem a dominar e a mulher a obedecer.
Hoje, quando esse modelo entra em colapso, surgem conflitos psíquicos profundos. A autonomia feminina ameaça estruturas psíquicas frágeis. E onde não há elaboração? há atuação.
Por isso, combater o feminicídio vai além da lei.
É também um trabalho de educação emocional, de fortalecimento psíquico e de ressignificação da masculinidade.
Precisamos ensinar homens a perder sem se destruir, a sentir sem se envergonhar, a amar sem possuir.
A psicanálise revela algo fundamental:
ninguém mata o outro sem antes carregar dentro de si um desejo inconsciente de aniquilamento do próprio eu.
O feminicídio é, também, um suicídio psíquico ? a prova de que a mente perdeu sua capacidade de simbolizar a vida.
Enquanto não tratarmos da saúde emocional como parte central da vida humana?
continuaremos amputando o futuro ? das mulheres e da sociedade inteira.
Franklin Teixeira Psicanalista

